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Resenha do Livro Sociedade do Cansaço

Por psi.marialuizacrocha@gmail.com 3 min de leitura
Resenha do Livro Sociedade do Cansaço

No livro, o filósofo Byung-Chul Han critica a sociedade contemporânea,
na qual o excesso de produtividade e a autocobrança geram o que ele chama de
“sociedade do desempenho”. Ele argumenta que passamos de uma sociedade
disciplinar para uma sociedade de desempenho, na qual a pressão para sermos
produtivos e positivos o tempo todo nos aprisiona em uma espécie de ditadura
da produtividade. A liberdade de hoje vem com a condição de sermos ativos e
realizados, o que nos leva a um esgotamento e adoecimento psíquico.


Na sociedade disciplinar, limites e proibições governavam o
comportamento, enquanto, na sociedade de desempenho, a busca incessante
por produtividade e realização leva a uma obediência disfarçada de liberdade
. O
sujeito moderno, sem uma autoridade externa, sente-se compelido a obedecer
a si mesmo e a cobrar-se constantemente, o que, segundo Alain Ehrenberg,
resulta em depressão — o fracasso do homem pós-moderno em ser ele mesmo.


Essa nova liberdade é uma “liberdade coercitiva”, onde a onipresença e
a tecnologia nos impõem estar em todos os lugares e sempre produtivos. Nesse
ciclo de autocobrança, o sujeito se torna vítima de sua própria auto exploração.
A hiperatividade e a falta de momentos de ócio e contemplação nos deixam
constantemente irritados e angustiados, mas sem causar mudanças concretas
na sociedade. Isso demonstra que a atividade extrema, na realidade, gera uma
passividade paralisante.


Para Freud, a angústia surge para proteger o Eu diante de uma ameaça
ou perda, manifestando-se fisicamente através de sintomas como aceleração
dos batimentos cardíacos e falta de ar. Em Lacan, a angústia é um afeto
inegável, originado da demanda do Outro. Essa angústia se intensifica na
sociedade de desempenho, onde a falta de satisfação plena se torna
insuportável devido à promessa ilusória de completude através da realização
contínua.


No contexto descrito por Han, o indivíduo sofre por não poder expressar
sua limitação e insuficiência,
pois a cultura de desempenho impõe que se faça
sempre mais. Essa pressão constante gera angústia e, quando o indivíduo
percebe a inescapabilidade da falta, ele pode cair em depressão, um estado de
paralisia e esgotamento.


A busca por completude através da autossuficiência e auto desempenho
gera uma angústia crônica, pois, como Lacan argumenta, o desejo humano é
marcado pela falta, e nenhuma conquista é capaz de satisfazê-lo
completamente. Na sociedade do cansaço, o sujeito é confrontado com a
impossibilidade de atingir essa completude, o que leva a uma angústia
insuportável.


A análise de Han, aliada ao conceito lacaniano de angústia, revela como
a busca incessante pela satisfação plena na sociedade do desempenho provoca
uma angústia paralisante. Ao prometer uma liberdade ilusória e uma
autossuficiência inalcançável, a sociedade moderna intensifica o sofrimento do
sujeito, que, confrontado com sua própria insuficiência, acaba colapsando em
estados de esgotamento e depressão.

A liberdade de hoje vem com a condição de sermos ativos e
realizados, o que nos leva a um esgotamento e adoecimento psíquico.


Referências:
FONSECA, Maria Carolina Bellico. O objeto da angústia em Freud e Lacan.
Reverso, Belo Horizonte, ano 31, n. 57, p. 39-44, jun. 2009.
HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Tradução de Enio Paulo Giachini.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.

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